A estrada para o inferno…

é pavimentada com boas intenções.

João me envia uma mensagem preocupadíssimo.

João: – Não quero cair novamente no erro. Preciso de sua ajuda.

(Ok. Ele não se chama João. As palavras também não foram essas. O fato é verídico)

Eu: – Olá, João. Tudo bem? Como posso ajudar?

João: – Recebi este feedback. E não quero cometer o mesmo erro. Agora entendi que eu tenho um problema. E que preciso mudar. Tenho muita dificuldade de reconhecer isso. Acredito que é um progresso.

Eu: (após ler o feedback e ouviu os áudios) – O que realmente está acontecendo?

Nesse momento João me dá o contexto da situação. Com a melhor das boas intenções, com o objetivo de melhorar os resultados comerciais de uma de suas equipes, acaba tendo o efeito contrário: a performance que estava ruim ficou pior.

A dualidade Intenção X Impacto

Não se preocupe com os ângulos, o que conta é a ideia.

O resultado da comunicação é o impacto, não é a intenção.

A intenção pode ser a melhor do mundo, mas se mal implementada terá um impacto negativo.

Mais uma vez, o que conta é o resultado: especialmente se estamos falando de executivos de uma empresa de médio porte que opera de forma enxuta. Um erro é desastroso. Um erro pode ser fatal.

Infelizmente uma grande parcela dos líderes empresarias chegam por méritos técnico-operacionais de curto prazo e não por uma integração de resultados, soft skills (interpessoais) e preparação de competências para o futuro.

O que antes aparentemente funcionava em determinado patamar hierárquico e/ou tamanho da operação, simplesmente não produz mais resultados.

A verdade é que os problemas eram limitados, os números eram outros, e não se tinha visibilidade do tamanho do estrago. Na prática nunca funcionou, mas o turnover não era então um problema.

A medida que a responsabilidade aumenta, as demandas sobre a liderança se elevam e as dimensões da operação escalam, sem habilidades interpessoais refinadas o que temos é uma receita para o turnover estourando os gráficos, retrabalho, investimentos com treinamento indo pelo ralo e o pior, os melhores talentos pegam as malas e vão viajar para a próxima oportunidade.

Desenvolvimento humano raramente é levado a sério até que os problemas começam a acontecer. Ou então, quando cansados de estarem cansados, a última opção aparece: “não vai ter jeito, vamos ter que mudar”.

Só que como se muda quando não se tem referência? quando não se trabalha sistematicamente o desenvolvimento de competências? quando se perdeu o ponto do que é certo ou errado na liderança e na gestão?

Muitas vezes a mudança acontece tarde demais.

Capacitação e desenvolvimento da liderança deve ser prioridade, precisa estar em pauta permanente e deve ser promovida e mensurada mensalmente, não só através de resultados operacionais mas levando em conta também o clima organizacional, habilidades interpessoais preparação para as demandas do futuro.

Estes são 3 KPIs fundamentais: resultados, pessoas e futuro. Quem não presta atenção nisso vai estar sempre correndo atrás do prejuízo.

Perguntas para reflexão:

  1. Qual está sendo seu impacto na sua organização?
  2. Que competências interpessoais (softskills) você precisa desenvolver para se manter competitivo?
  3. Como poderia aumentar seu impacto positivo na sua equipe e sua organização?
  4. Se não existe possibilidade de melhorar seu impacto na sua empresa atual, onde você teria mais espaço e capacidade de contribuição?
  5. Qual é seu plano de ação?
  6. Quando você irá dar o primeiro passo?

O impacto (resultado) não mente. Que não seja tarde demais.

PS. Não é tarde demais para o João. Aliás, ele só está recebendo feedbacks porque se permitiu e pediu opiniões para seus subordinados. Parou de liderar às cegas. Com consciência é possível mudar. E antes de mais nada é preciso saber o que mudar.

E você, já pediu feedback para sua equipe no mês que passou?

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Carlos Hoyos, é o host do podcast PLANETA – O Podcast do Líder e do canal do YouTube “Liderança com Propósito“. Carlos é empresário e empreendedor, Coach Executivo & Empresarial, especializado em alta performance para líderes, facilitador de treinamentos de alta performance, mentor de coaches, empreendedores e consultor empresarial. Pai da Clara e do Benjamin, esposo da Camila, é apaixonado por desenvolver líderes, executivos, empresários e empreendedores para que possam atingir seu potencial maior em suas vidas, famílias, equipes e empresas.

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